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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O ANTI-BAFÔMETRO

Jovens utilizam remédio para driblar o bafômetro

Um comprimido recém-chegado às farmácias brasileiras virou moda entre os que, desde o início da lei seca, em junho, procuravam uma maneira de continuar bebendo sem a ameaça de cair nas garras do bafômetro. O Metadoxil, derivado da vitamina B6, foi criado para ajudar pessoas em tratamento contra o alcoolismo crônico ou agudo. Jovens de Brasília e de várias capitais brasileiras, no entanto, estão usando a droga para assumir o volante depois de “baladas” regadas a cerveja, vodca e uísque. A idéia, garantem especialistas, não é recomendável. A automedicação pode significar riscos à saúde e não há garantia alguma de que o remédio seja capaz de suspender a embriaguez a ponto de livrar o motorista do bafômetro.

O medicamento possui tarja vermelha e, portanto, deveria ser vendido apenas sob prescrição médica. Só que a regra não é seguida à risca. A reportagem do Correio conseguiu comprar, sem receita, uma caixa do remédio na primeira farmácia em que entrou. Com o desconto, os 30 comprimidos saíram por R$ 32,53. Um balconista na comercial das quadras 102/302 Sul, conhecida como Rua das Farmácias, chegou a fazer propaganda: “Dizem que em meia hora zera o efeito do álcool.” As pílulas também estão à venda na internet, em até três vezes sem juros. Em blogs, virou tema de discussão. “Se funcionar, vai deixar muito dono de farmácia rico”, previu um internauta.

Um estudante de 23 anos, que preferiu não se identificar, conta que conheceu o remédio por indicação de um médico. “Ele me disse que era um antibafômetro, que cortava o efeito do álcool em 45 minutos”, relatou o jovem. Segundo ele, a primeira vez que tomou não percebeu mudança. Na segunda, o remédio teria impedido que ficasse embriagado. “Tomei antes de ir a uma festa. Mesmo depois de beber muito, não fiquei alterado”, citou.

A euforia do jovem não condiz com a realidade, segundo especialistas ouvidos pelo Correio. “O remédio só acelera mecanismos metabólicos da degradação do álcool, mas não é mágico. Achar que vai ficar sóbrio é ridículo”, comentou o professor da Universidade de Brasília (UnB) e gerente de risco sanitário do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Carlos César Schleicher. O medicamento, comercializado em países da Europa e Ásia, começou a ser vendido no Brasil em agosto e é pouco conhecido entre a classe médica. O laboratório Baldacci, responsável pela comercialização, estima que 3 mil caixas já foram vendidas no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) credenciou o remédio em setembro de 2007. A droga, de acordo com a avaliação da Anvisa, oferece aos usuários mais benefícios que malefícios. Por isso, recebeu o aval para ser comercializada. O farmacêutico Rogério Hoefler, do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos, uma seção do Conselho Federal de Farmácia (CFF), é cauteloso ao falar do novo medicamento. “Ainda estou com um pé atrás. A própria bula não é clara”, comentou Hoefler, que pediu mais informações ao laboratório, cuja matriz fica em São Paulo. “Mas é claro que um médico em sã consciência não prescreveria o remédio para esse fim (beber e depois dirigir)”, completou.
Um grande risco

Os médicos têm receitado o derivado da vitamina B6, substância já presente no organismo humano, para pacientes ainda dependentes do álcool ou para quem já parou de beber e está em fase de desintoxicação. Ao acelerar a eliminação do álcool, a droga ajuda a recuperar as funções do fígado. Recomenda-se de um a quatro comprimidos por dia, a depender do paciente. O tratamento dura de um a três meses. “O Metadoxil é para ser usado dentro desse contexto. Usá-lo para dirigir sossegado não é eficaz. Até porque o usuário nunca terá certeza de que eliminou todo o álcool do corpo”, ressaltou a psiquiatra e professora da Universidade de São Paulo (USP) Camila Magalhães, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).

“Correr o risco de usá-lo sem prescrição é colocar a saúde em risco”, reforçou o psiquiatra Augusto César Marques, do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Secretaria de Saúde do DF. “Não é aconselhável de maneira alguma usá-lo sem orientação”, emendou o toxicologista Otávio Brasil, diretor do Centro de Atendimento Toxicológico de Brasília, que já se manifestou contrário à lei seca.

O diretor do laboratório Baldacci, Ronaldo Abud, afirmou que a droga é destinada ao tratamento de alcoolismo. Mas não mostrou-se preocupado com o uso sem a orientação médica. “Não é de todo ruim. Ele está tentando ficar sóbrio. Melhor do que dirigir embriagado”, justificou. “Mas ele (o medicamento) não engana bafômetro nenhum”, completou.

Problema no Sul
O Conselho Regional de Farmárcia (CRF) do Rio Grande do Sul notificou ontem uma farmácia, em Porto Alegre, que fazia propaganda do Metadoxil. Um cartaz afixado no estabelecimento incentivava clientes a comprar o remédio para driblar o bafômetro. O CRF notificou a farmácia sob a alegação de propaganda enganosa e de falta ética do profissional farmacêutico. O caso será analisado pela Vigilância Sanitária da capital gaúcha.

***

É impressionante a capacidade do brasileiro de buscar métodos par a burlar a lei a qualquer custo. Se já não bastasse botar a própria vida e a de terceiros em risco ao dirigirem bêbados, depois do advento da Lei Seca, surgiram inúmeros métodos para enganar o bafômetro e os agentes de trânsito. A grande maioria deste métodos, é claro, não passam de lendas urbanas. Agora, surgiu o ANTI-BAFÔMETRO, que é nada mais, nada menos, que um remédio receitado para ajudar na recuperação de alcoólatras e que só pode ser vendido com prescrição médica. Mas é evidente que quem vai comprar este medicamento, não apresentará prescrição alguma, ou seja, se auto-medicará. Pondo vidas em risco ao tomar a direção de um carro depois de ingerir álcool, agora, atentam contra a própria saúde ao usarem medicamento restrito sem acompanhamento médico. Este fato, só veio reforçar minha opinião de que o brasileiro só está "respeitando" esta Lei Seca por puro medo da multa e de ter sua carteira suspensa, e não com o intuito de preservar vidas no trânsito. Aqui no Brasil, quem respeita a lei é taxado de trouxa!

PS: depois que nosso letrado Presidente alterou algumas normas gramaticais com uma bela canetada, "anti-bafômetro" tem hífen ou não?

2 comentários:

  1. Se o medicamento elimina os efeitos do álcool, não há razões para que não seja utilizado. Ao que me parece, o medicamento não tem a finalidade de enganar o etilômetro (Bafômetro), tem a finalidade de acelerar o metabolismo do álcool no organismo.

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  2. "Este fato, só veio reforçar minha opinião de que o brasileiro só está "respeitando" esta Lei Seca por puro medo da multa e de ter sua carteira suspensa, e não com o intuito de preservar vidas no trânsito. Aqui no Brasil, quem respeita a lei é taxado de trouxa!"

    Trouxa é aquele que acredita que essa lei de seca foi criada pensando na saúde das pessoas. Na verdade foi pra pegar grana das pessoas. Que as vezes nem estão embriagadas, mas hoje não se pode comem nem 1 bombom. Não tem equilíbrio nenhum.

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