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terça-feira, 2 de outubro de 2012

As consequências da greve dos Correios

Crédito: Folha
Todo ano o país é assolado pela greve dos funcionários dos Correios - ECT, que por dois anos consecutivos tem o dissídio coletivo julgado pelo TST, diante da intransigência de ambas as partes. Nada contra a fazer greve, no entanto, no caso de uma empresa pública que detém o monopólio da sua atividade, no mínimo deveria manter, pelo menos 50% dos funcionários trabalhando ou utilizar remédios judiciais para tanto.

Resolvido o dissídio pelo TST na semana passada, foi noticiado que os Correios fariam um mutirão no dia (29/10/12) para pôr em dia as correspondências e encomendas que não foram entregues durante o movimento paredista.

Pois bem. No domingo (30/10), após passar um bom tempo sem receber cartas em minha residência e me lembrando da notícia do mutirão, fui averiguar a caixa de correio de minha casa e me deparei com a mesma LOTADA

Quando fui verificar o destinatário das cartas tive uma má surpresa: das 09 cartas, 07 eram destinadas para outros endereços, pasmem, de vizinhos e até mesmo de endereços de quadras diferentes.

Na mesma hora corri para a internet para registrar minha indignação quanto ao ocorrido e registrei minha irresignação na ouvidoria dos Correios, registrada sob o nº 13574708 com os seguintes dizeres:

Gostaria de denunciar que o mutirão de retorno da greve dos Correios está sendo feito de qualquer jeito. Das 9 correspondências que me foram entregues ontem (29/09), 7 eram destinadas a outros endereços. Solicito retorno do carteiro para pegar as cartas entregues de modo errado para que possam ser entregues a seus reais destinatários.
No dia seguinte recebi como resposta, que minha reclamação seria direcionada para a Regional de Brasília. Tudo bem. Hoje, um veículo dos Correios foi à minha casa para pegar as cartas entregues erradamente para que fossem entregues aos reais destinatários.

Agora, podem até achar que eu mesmo deveria ter entregue as cartas erradas, eis que alguns destinatários eram vizinhos meus. Porém, se assim fizesse, a ECT jamais ficaria sabendo do ocorrido, que pode ter sido mero erro ou mesmo desleixo do carteiro por ter pressa em entregar as cartas no mutirão. Ou, também, orientação do sindicato, que prefiro não cogitar. Todavia, não dei, ou melhor, nós todos não demos causa à greve e não devemos suportar ainda mais o ônus da situação.

Este fato bem me lembrou o personagem Carteiro Jaiminho do seriado do Chaves, que obrigava os destinatários das cartas a procurarem suas correspodências em sua bolsa sob o pretexto de "evitar a fadiga", no lugar de ele mesmo exercer seu ofício. Mas, até hoje nunca me deparei com um "Jaiminho" nas ruas.

Por fim, pode até ter sido um fato isolado, mas não podemos ficar a mercê de sindicatos e empregadores intransigentes, que nada fazem para pôr um fim amigável à greve, assim penalizando quem não tem nada a ver com o imbróglio: os reais destinatários dos serviços.